A história da Boca do Lobo:
Do antigo pavilhão de madeira ao atual Estádio da Boca do Lobo, se vai mais de um século de glórias enraizadas no coração da cidade. Palco de grandes confrontos, conquistas épicas e momentos inesquecíveis para milhares de apaixonados, conheça um pouco mais sobre o Estádio mais antigo do Futebol Brasileiro.
-> 1908 – A inauguração do Estádio
O Esporte Clube Pelotas nasceu em 1908, com a fusão das duas mais fortes associações esportivas da cidade: o Club Sportivo Internacional e o Football Club. Imediatamente após a fundação, o Pelotas passou a ocupar o terreno da avenida Bento Gonçalves. O Estádio que já vinha sendo preparado antes mesmo da fundação oficial, contava com um pavilhão de madeira para oitocentas pessoas, e foi erguido para a festa de inauguração, na tarde do dia 25 de outubro de 1908.
Na histórica tarde de inauguração do então chamado Estádio da Avenida, o Sport Club Rio Grande, clube mais antigo do país, foi convidado para a disputa de dois confrontos. A preliminar, disputada pelos segundos times, terminou com goleada Áureo-Cerúlea pelo placar de 5×1. O primeiro gol do Pelotas, e consequentemente do estádio, foi ali assinalado por Adalberto Barcellos. A partida entre os primeiros quadros foi vencida pelo Rio Grande por 3 a 2, tendo Curt Rheingantz assinalado o primeiro e também histórico gol pela equipe principal do Esporte Clube Pelotas.
Com o time principal, o Rio Grande mantinha-se invicto desde a sua fundação, em 19 de julho de 1900. Até que em 24 de outubro de 1909 o Pelotas recebeu novamente o “vovô”, vencendo o confronto por dois a zero, e acabando com o tabu de mais de 9 anos de invencibilidade do tradicional clube riograndino.
Dois anos mais tarde, em 1911, o Pelotas foi aclamado Campeão Gaúcho. Devido a não existência de uma Federação Estadual, os jogos foram organizados pelos clubes em atividade na época, junto a algumas federações locais, como as Federações de Pelotas, Rio Grande, Bagé e Porto Alegre. No final da temporada o Pelotas sagrou-se Campeão após um ano brilhante. Em 11 jogos, o Pelotas venceu oito, empatou duas e perdeu apenas uma partida. A única derrota foi para o São Paulo de Rio Grande, por 2 A 1, na Boca do Lobo. No jogo da volta, disputado na vizinha cidade de Rio Grande, vitória do Pelotas por 3 a 1. Era a resposta do Lobão, na partida revanche. O título do Pelotas foi reconhecido e aclamado por todos os clubes e imprensa do estado, assim como todas as federações locais existentes no Rio Grande do Sul naquele ano.
Já em 1915, o Pelotas formou um time que encantou a todos e que partida a partida foi aniquilando seus adversários e conquistando a fama de time imbatível. Na temporada foram 35 vitórias em 34 jogos, 205 gols marcados contra apenas 27 sofridos, um verdadeiro massacre aos seus adversários. O time que formava com Pereira, Alberto, Roberto, Augusto Bertone, Juan Bertone, Moura, Octavio, Pons, Décio, Calero e Abelardo, não foi páreo para nenhuma outra equipe do Rio Grande do Sul. O time que se sagrou campeão da cidade ao vencer na final o Brasil por 4 a 0, na sequência garantiu o 100% de aproveitamento contra os times da região sul e da capital do estado, fechando a estupenda campanha com uma goleada contra o Campeão da Região Metropolitana, ao vencer o Grêmio por 5 a 2, em Porto Alegre, se firmando com folga, como o melhor time do estado naquela temporada.
-> 1917 – Remodelação do Estádio
No final de 1916, sob a presidência de Francisco Simões, o Pelotas resolveu investir em instalações novas e confortáveis para o Estádio da Avenida. As obras foram concluídas em menos de dez meses, e o Pelotas podia se orgulhar; havia incorporado ao seu invejável patrimônio a principal praça de esportes do Rio Grande do Sul, que nada ficava a dever às melhores do Rio de Janeiro e de outras grandes metrópoles nacionais. Ocupando uma área de 27.000 m², foi implantado um novo gramado assentado sobre uma excelente malha de drenos. Ao redor do pavilhão, ergueu-se três quadras de tênis com observatório coberto, pista de patinação e mastro semafórico, utilizado para marcação dos resultados dos jogos.
Em 1919 o Pelotas festejou as reformas do seu estádio recebendo a Seleção Argentina, que retornava do Rio de Janeiro onde havia disputado a Copa Sul-Americana. O Pelotas fez frente ao forte adversário e a partida ficou em zero a zero.
Em 1930, credenciado pela conquista do título da cidade, o Pelotas disputou o título da Região Sul contra o São Paulo de Rio Grande. Jogando na Boca do Lobo, em partida que dava vaga na final do Campeonato Gaúcho, o Pelotas mais uma vez se superou e em uma partida equilibrada, com gols de Mario Reis, Tristão Garcia e Tutu, venceu o São Paulo por 3 a 2. Na final, disputada na capital do estado, o Pelotas confirmou sua força, conquistando pela segunda vez o título de Campeão Gaúcho.
No ano seguinte, em uma época que ainda não existiam as tradicionais competições nacionais, como os atuais Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil, o futebol Brasileiro se desenvolvia com torneios organizados pela CBD, além de competições organizadas pelos próprios clubes, federações estaduais e até mesmo as federações citadinas, que na época possuíam muita força. Mesmo sem uma competição nacional definida e estruturada, como acontece hoje em dia, essas competições possuíam muito prestigio.
E foi assim, que em 1931, o Pelotas participou do seu primeiro torneio de relevância nacional, quando disputou a Copa dos Campeões, que colocou frente a frente o Campeão Gaúcho e o Campeão Carioca. Na partida disputada na Boca do Lobo, o título ficou com o Botafogo, após vitória por 3 a 2.
Em 1944, no dia do seu 36° aniversário, o clube recebeu a posse definitiva do terreno e do estádio, passando ser o proprietário oficial de todo seu patrimônio.
-> 1948 a 1960 – Os primeiros refletores iluminaram partidas históricas
Na comemoração de seus quarenta anos, o Pelotas convidou o S. C. Internacional, de Porto Alegre para o jogo de inauguração dos refletores no Estádio da Avenida, em partida que valia a Taça Cruzeiro do Sul. O conjunto de luminárias, que nos dias atuais seria considerado deficiente, era excelente para os padrões de 1948. O Pelotas venceu a partida por 3 a 2, dando seqüência a uma escrita que se tornava repetitiva naqueles anos: vencer o Internacional na Avenida.
Em 1949 a Avenida seria palco de mais uma grande partida: Pelotas x Vasco da Gama. A cidade parou para ver o confronto contra a equipe que era base da Seleção Brasileira para a Copa de 50. Foi uma partida eletrizante, com gols alternados até o placar final de 3×2 para os visitantes. No ano seguinte, novamente o Vasco da Gama esteve na Boca do Lobo, para um empate em 2 a 2.
Em 1957 uma visita marcante. A Boca do Lobo viu de perto o Rei Pelé. Perante grande público, que rendeu nas bilheterias 143.500 cruzeiros, exibiu-se o poderoso elenco do Santos, Bicampeão Paulista, que contava com diversos craques que fizeram história no futebol mundial. Era um time recheado de craques como Pagão, Dorval, Del Vecchio e o próprio rei.
Em 1958, um ano especial. Das grandes honras da história do Pelotas, certamente o Festival do Cinquentenário estará entre as maiores. Não era um título ou um campeonato, mas sim uma série de confrontos diante de grandes equipes do Brasil e da América do Sul, chancelada pela Federação Gaúcha de Futebol, onde após cinco partidas o Pelotas saiu invicto, e agraciado com a Taça do Cinquentenário, oferecida pela Casa Clarck. Ao final foram 5 grandes partidas, com três vitórias sobre Gimnasia de La Plata, da Argentina, por 5 a 1, Fluminense por 4 a 3 e Internacional por 3 a 2, e dois empates contra Rampla Juniors, do Uruguai, em 1 a 1, e São Paulo, em um honroso 0 a 0. O Pelotas marcou 13 gols e sofreu 7, com saldo positivo de 6 gols. Uma campanha invicta e marcante na temporada dos 50 anos do clube. No final do ano o Pelotas ainda terminaria com a conquista do Tri-Campeonato da Cidade e a conquista da Copa dos Campeões.
Em 1960, foi a vez da Boca do Lobo receber o forte time do Flamengo, para um empate em 1×1.
-> 1962 a 2009 – Modernização do Estádio
Em 1962 o Pelotas conquistou o Torneio Sesquicentenário de Pelotas, comemorativo aos 150 anos de fundação da cidade. Aquele ano ficaria marcado como o início da modernização do estádio, com a inauguração do pavilhão social de concreto, com cobertura, abrigando cadeiras cativas e novas dependências internas na parte frontal à praça Júlio de Castilhos para vestiários e administração. A obra seguiria lentamente e por etapas, porque os tempos já eram outros e o departamento de futebol exigia grandes receitas. O pavilhão social inaugurado em 1962 está diretamente ligado à iniciativa e ao trabalho de um grande áureo-cerúleo: Dirceu Mendes de Mattos.
Em 1977, em plena era do goleador Flávio Minuano, ocorre a inauguração de um novo sistema de iluminação. Em 1983, o estádio da Boca do Lobo, como já era nacionalmente conhecido, ganha a monumental arquibancada da rua Gonçalves Chaves. A conclusão dessa obra deve-se à operosidade e competência de outro grande áureo-cerúleo: Sidney Salengue Gomes. Em 1988 o Pelotas inaugurou a grande arquibancada da avenida Bento Gonçalves e o Shopping Lobão, aumentando a capacidade do estádio para 18 mil pessoas.
-> 2010 – Um estádio ainda maior
Em 2002, sob a presidência de Carlos Augusto Tavares, o Pelotas dá um derradeiro salto de qualidade. Graças à uma parceria com a Petrobras, o gramado é totalmente replantado, o alambrado e as passarelas são reformados e inicia-se a construção de uma nova arquibancada. Em 2010, sob a presidência de Luís Antônio Aleixo, a arquibancada da rua Amarante é finalizada, fechando os espaços e atingindo a capacidade de 23.336 mil espectadores bem acomodados.
-> O apelido “BOCA DO LOBO”
Situado no quarteirão formado, pela Avenida Bento Gonçalves, Praça Júlio de Castilhos, ruas Dr. Amarante e Gonçalves Chaves, o estádio faz esquina com duas artérias que se cruzam num ângulo semelhante ao de uma boca de lobo – a avenida Domingos de Almeida e a rua Gonçalves Chaves. Aquele ponto urbano já era há muito tempo conhecido como Boca do Lobo. E o estádio do Pelotas, com o passar dos anos, foi sendo chamado de Estádio da Boca do Lobo, ou simplesmente Boca do Lobo.
De maneira natural, o mascote áureo-cerúleo de fraque e cartola deu lugar à imagem de um lobo, fato que acompanhou a popularização do clube. A ideia logo se alastrou, a fera agregou-se ao Pelotas e o Pelotas incorporou o lobo nos seus símbolos, nas torcidas organizadas e nos seus hinos de guerra.
-> A maior estrutura da Região Sul
O Pelotas possui hoje, somando-se a Boca do Lobo e o Parque Esportivo Lobão, a maior estrutura social e esportiva do interior do estado. A Boca do Lobo, erguida no coração da cidade, desfruta de um ponto comercial estratégico, em área de intenso movimento diurno e noturno. São aproximadamente 60 unidades comerciais, incluindo as esquinas da Churrascaria Lobão, a Galeteria Lobão, o Posto Petrobrás, o Posto Ypiranga e outras 23 unidades comerciais construídas ao redor do estádio, além de 33 salas de escritório no Shopping Lobão.
Ficha do estádio:
| Boca do Lobo | |
|---|---|
| Nomes | |
| Nome | Estádio Boca do Lobo |
| Apelido | Boca |
| Antigos nomes | Estádio da Avenida |
| Características | |
| Local | Pelotas |
| Gramado | Grama natural (105 x 70 m) |
| Capacidade | 23.336 pessoas |
| Construção | |
| Data | 11/10/1908 |
| Inauguração | |
| Data | 25/10/1908 |
| Partida inaugural | Pelotas x Rio Grande |
| Recordes | |
| Público recorde | 23.336 pessoas |
| Data recorde | 2010 |
| Partida com mais público | (Pelotas 2×3 Grêmio) |
| Outras informações | |
| Remodelado | Novo Pavilhão em 1917 Novas Arquibancadas em 1977 |
| Proprietário | Esporte Clube Pelotas |
| Mandante | Esporte Clube Pelotas |
Abaixo fotos históricas da Boca do Lobo em suas diversas fases ao longo dos seus quase 108 anos de história. Confira a evolução do estádio mais antigo do Brasil:

Inauguração da Boca do Lobo em 25/10/1908

Foto do dia 25 de outubro de 1908, ao fundo o primeiro pavilhão do clube, no dia da primeira partida da história do Esporte Clube Pelotas.

15 de julho de 1917 – Inauguração do novo pavilhão da Boca do Lobo

Pavilhão em 1920

12/11/1920 – Pavilhão do Pelotas em Homenagem ao dia da Bandeira

O terreno doado por Joaquim Luís Osório ao Pelotas em 1908, no ano da fundação do clube, foi comprado simbolicamente em 1944, mais precisamente em 11 de outubro, data do 36º aniversário do clube. Na foto, a família Osório faz negócio e dá ao clube um decisivo património.

Entrada do Estádio – Portão da Avenida Bento em 1958

Pelotas x Flamengo em 1960 – Ao fundo a antiga arquibancada da geral (Rua Gonçalves Chaves)

Boca do Lobo em 1961

Foto da partida entre Pelotas e Floriano (atual Novo Hamburgo) em 1963 na Boca do Lobo, ao fundo, destaque para a construção da atual arquibancada social da Boca do Lobo.

Boca do Lobo no ano de 1969 – ao fundo parte da antiga geral.

Boca do Lobo no ano de 1969 – ao fundo parte da social e da Avenida Bento.

Boca do Lobo no ano de 1969 – ao fundo parte da antiga geral, derrubada em 1977 para a construção da atual geral da Gonçalves Chaves.

Boca do Lobo no ano 2000, ainda com o antigo fosso que separava a arquibancada do alambrado.

Boca do Lobo em 2002 – Ao fundo o local onde foi construída a nova arquibancada, inaugurada em 2010.

Boca do Lobo em 2008, ainda durante a construção da nova arquibancada da Amarante.

Boca do Lobo em 2009

Atual arquibancada social

Atual arquibancada geral – paralela a Rua Gonçalves Chaves

Atual arquibancada Tobogã – paralela a Avenida Bento Gonçalves

Atual arquibancada fundos – paralela a Rua Doutor Amarante

Foto atual – O Estádio Boca do Lobo tem capacidade para 23.336 torcedores.
Abaixo conheça os estádios de futebol mais antigos do Brasil e saiba porque é que estes espaços são locais míticos.
| Estádio | Clube Proprietário | Inauguração | |
| 1 | Boca do Lobo | Pelotas-RS | 25/11/1908 |
| 2 | Estádio da Curuzú | Paysandu-PA | 14/06/1914 |
| 3 | Arena da Baixada | Atlético-PR | 06/09/1914 |
| 4 | Estrela D’alva | Guarany de Bagé-RS | 13/06/1915 |
| 5 | Figueira Melo | São Cristovão-RJ | 23/04/1916 |
| 6 | Vila Belmiro | Santos-SP | 22/10/1916 |
| 7 | Baenão | Remo-PA | 15/08/1917 |
| 8 | Laranjeiras | Fluminense-RJ | 11/05/1919 |
| 9 | Elrico Mursa | Portuguesa Santista-SP | 05/12/1920 |
| 10 | João Martins | 14 de Julho-RS | 13/04/1921 |
| 11 | Toca do Leão | União Barbarense-SP | 21/05/1921 |
| 12 | Aldo Dapuzzo | São Paulo de Rio Grande-RS | 11/09/1921 |
| 13 | Pedra Moura | Bagé-RS | 31/07/1921 |
| 14 | São Januário | Vasco da Gama-RJ | 21/04/1927 |
| 15 | Parque São Jorge | Corinthians-SP | 22/06/1928 |
| 16 | Belarmino Del Nero | Atlético Pirassunguense-SP | 07/02/1931 |
| 17 | Couto Pereira | Coritiba-PR | 15/11/1932 |
| 18 | Alfredão | Noroeste-SP | 01/09/1935 |
| 19 | Ilha do Retiro | Sport Recife-PE | 04/07/1937 |
| 20 | Gávea | Flamengo-RJ | 04/09/1938 |















