Hoje relembraremos um pouco da história de José Antônio Candiota Duarte da Silva, ou apenas Duarte, como ficou conhecido no mundo do futebol. Nascido em Pelotas, no dia 03 de abril de 1931, Duarte começou sua carreira profissional no Bancário em 1948. Já no ano seguinte, se transferiu para o Pelotas. Na sequência da carreira, defendeu o Farroupilha em 1950, Cruzeiro-POA em 1951, Brasil de 1952 a 1955, e novamente o Pelotas, onde atuou de 1956 a 1962, encerrando sua gloriosa trajetória.
Após defender a Seleção Gaúcha em 1955, já como atleta do Esporte Clube Pelotas, Duarte foi convocado para defender a Seleção Brasileira no Campeonato Panamericano do México, em 1956. Após a conquista do Panamericano, Duarte recebeu propostas de grandes clubes do futebol Brasileiro, como Internacional, Grêmio, Corinthians e Vasco da Gama.
PRIMEIRA PASSAGEM PELO PELOTAS
Após começar sua carreira pelo Bancário, Duarte se transferiu para o Pelotas em 1949. No Lobão, Duarte foi Campeão do Torneio Inicio e da Taça Sudan, quando o Pelotas venceu o Brasil em dois clássicos.
No primeiro Bra-Pel, disputado no Bento Freitas, vitória Áureo-Cerúlea por 4 a 1, com gols de Apes (Gol olímpico), Pacheco, Tejera e Martiarena.
No segundo clássico, disputado na Boca do Lobo, nova vitória Áureo-Cerúlea, dessa vez por 3 a 2, com gols de Apes, Soares e Martiarena. Em ambos os jogos, Duarte foi titular.
SEQUÊNCIA
Em 1950, Duarte se transfere para o Farroupilha. No ano seguinte, vai para a Capital do estado para defender o Cruzeiro. Em 1952, retorna para a cidade para defender o rival até 1955.
SELEÇÃO GAÚCHA EM 1955
Após uma boa temporada, Duarte foi convocado para defender a Seleção Gaúcha no Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais. O Rio Grande do Sul terminou a competição na terceira colocação.
A POLÊMICA TRANSFERÊNCIA PARA O PELOTAS
Terminado o Campeonato de 1955, Duarte, o maior destaque do rival, acaba se tornando o grande alvo do Pelotas para a temporada de 1956. O clube da Boca do Lobo, tinha como objetivo a conquista do título de 1958, ano em que o Pelotas comemoraria o seu Cinquentenário. E para isso, precisava fazer um bom time nas temporadas de 1956 e 1957, para entrar bem na temporada em que iria comemorar seus 50 anos.
E assim aconteceu, o Pelotas foi buscar, na casa do rival, os três nomes fortes do clube. O Técnico Paulo de Souza Lobo, o Galego, então técnico do Brasil, assim como o lateral Jarí e o zagueiro Duarte, maior destaque do clube.
Foi uma bomba na cidade, torcedores rivais incrédulos, dirigentes rivais indignados, mas uma Alcateia em eufórica, acreditando que os anos que se aproximavam, seriam de glórias para os Áureo-Cerúleos. E assim foi!
1956 E A CONVOCAÇÃO PARA A SELEÇÃO BRASILEIRA
Após a transferência para o Pelotas, Duarte foi convocado pela CBD (atual CBF), para fazer parte do elenco que se preparava para o Campeonato Panamericano de Futebol. Naquela competição, a Seleção Brasileira contaria apenas com atletas que atuavam do Rio Grande do Sul. Além de Duarte, o goleiro Joãozinho e o volante Brauner, ambos do Pelotas, também foram convocados na primeira chamada, quando 46 jogadores foram convocados para os treinamentos e jogos preparativos.
Após a primeira etapa de treinamentos, 16 jogadores foram cortados, entre ele o volante Brauner, do Pelotas, permanecendo Joãozinho e Duarte, entre os 30 jogadores. Na ultima e definitiva convocação, dos Áureo-Cerúleos, apenas Duarte acabou confirmado na lista dos 22 jogadores que iriam defender a Seleção no Pan do México.
Para saber mais detalhes, compartilhamos a matéria publicada no Almanaque Esportivo, em 1956, confira na integra:
“Depois de uma série de marchas e contra-marchas, nas quais não faltou a ridícula apresentação de alguns elementos sem nenhum valor dos estados no Norte e de Minas Gerais para a formação do selecionado brasileiro que deveria ir ao México defender o título de campeão do certame panamericano conquistado pelo Brasil no Chile, resolveu a CBD, por volta do início de janeiro, entregar a FRGF (atual FGF – Federação Gaúcha de Futebol) a responsabilidade da representação brasileira no aludido certame, a qual seria formada exclusivamente por elementos que militassem nos clubes gaúchos.
Para a incumbência foi escolhido o técnico do S.C. Internacional, de Porto Alegre, José Francisco Duarte Júnior (Teté), o qual deu início a sua tarefa a 5 de janeiro convocando nada menos do que 45 jogadores das diversas agremiações da Divisão de Honra do futebol portoalegrense e pelotense. Feitos os ensaios durante os meses de janeiro e fevereiro, e selecionados os que deveriam vestir a camiseta da CBD, embarcaram para o México a 17 de fevereiro os seguintes jogadores: Sérgio, Sarará, Florindo, Aírton, Ênio Andrade, Mílton, Luizinho, Juarez, Hercílio, Duarte, Raul, Valdir, Bodinho, Jerônimo, Figueiró, Chinezinho, Odorico, Oréco, Larry, Paulinho, Ênio Rodrigues e Ortunho. Foi então iniciada a gloriosa jornada que nos levaria a conquista do laurél de Bi-campeões do Continente, graças a fibra e “garra” dos gaúchos, sempre prontos para tudo quando se trata de defender o bom nome esportivo do Brasil….”
E de fato, nada menos do que 46 atletas foram chamados para uma espécie de vestibular da bola, não custa recordar um a um quem foram os pré-selecioandos, do Renner, Waldir, Bonzo, Paulistinha, Breno, Léo, Odi, Pedrinho, Juarez, Ênio Andrade e Joeci; do Grêmio, Sérgio, Figueiró, Aírton, Calvet, Ênio Rodrigues, Giovani, Juarez, Mílton e Hercílio; do Internacional, Florindo, Oreco, Odorico, Luisinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho; do Floriano: Paulinho, Bino, Hélio, Heitor, Chagas e Raul; do Cruzeiro, Amauri, Bruno e Tesourinha II; do Nacional, Ortunho e Mílton; do Força e Luz: Zacarias e Dorval; do Aimoré, Amaro e Kim, do Pelotas, Joãozinho, Brauner e Duarte e do Juventude, Lori. Uma série de “ensaios”, utilizando equipes separadas por cores foram então realizados, logo vieram os primeiros cortes, Paulistinha do Renner foi liberado, pois estava em execícios militares em São Borja, Juarez tambem do Renner, sofreu uma distenção e teve que abandonar o grupo, Heitor do Floriano, agradeceu o convite, mas preferiu mesmo abandonar a carreira, Calvet do Grêmio, estava com problemas de saúde e foi outro a deixar o grupo, Mílton do Nacional tambem deixou a seleção, e assim foram sendo feitas as dispensas, até chegar ao número de 22 atletas, não sem antes haver um tempinho para chamar o atleta Sarará do Grêmio, que havia ficado de fora na primeira chamada.
A competição foi disputada por 6 Seleções (Brasil, Argentina, Chile, Peru. México e Costa Rica), como fórmula, todas as equipes de enfrentavam em turno único, ao todo, o Brasil disputou 5 partidas, 4 vitórias e 1 empate, 9 pontos conquistados e 14 gols marcados, com esta campanha, o Brasil garantiu o primeiro lugar e consequentemente a medalha de ouro, ficando a Argentina com a Prata e a Costa Rica com o bronze.
OS JOGOS:
26/02/1956 – México 1-1 Costa Rica
28/02/1956 – Argentina 0-0 Peru
01/03/1956 – Brasil 2-1 Chile
Local: Estádio Olímpico (Cidade do México); Arbitragem: Alfredo Rossi (Argentina), auxiliado por Danilo Alfaro (Costa Rica) e Ramiro Garcia (México); Gols: Luisinho (B) aos 13′, Raul (B) aos 67′ e Jorge Robledo (C) aos 71′.
Brasil: Sérgio; Florindo e Duarte; Oreco, Odorico e Ênio Rodrigues; Luisinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul.
Chile: Escutti; Álvarez e Almeida; Carrasco, Cortez e Cubillos; Ramirez, Hormazabal (Carlos Telio), Jorge Robledo, Muñoz (Fernandez) e Sanchez.
O Jogo: Logo na estréia, o Brasil pegou um Chile totalmente confiante em uma vitória, pois dias antes no Sulamericano em Montevidéo, os chilenos haviam derrotado nossa seleção, então representada por atletas paulistas por 4-1. O Brasil virou o primeiro tempo vencendo por 1-0, gol de Luisinho aos 13 minutos, completando um cruzamento rasteiro de Larry,mesmo assim, o Chile fez várias investidas a meta brasileira, obrigando ao técnico Teté agrupar em alguns momentos, 6 atletas na defesa, para conter o ataque andino, fato não muito comum para a época. Na segunda etapa, logo no ínicio, após um escanteio, Larry tocou de cabeça, porém a bola raspou a meta de Escutti, aos 16 minutos Juarez substiuuiu Larry e aos 22 veio o 2º gol, em uma combinação de passes entre Juarez e Raul, que arrematou no ângulo esquerdo, Jorge Robledo ainda descontaria para o Chile aos 26 minutos, porém nada de mais produtivo foi conseguido após este gol.
04/03/1956 – Peru 2-0 México
06/03/1956 – Argentina 4-3 Costa Rica
06/03/1956 – Brasil 1-0 Peru
Local: Estádio Olímpico (Cidade do México); Arbitragem: Alfredo Rossi (Argentina); com Danilo Alfaro (Costa Rica) e Fernando Buergo (México) como auxiliares; Expulsão: Tito Drago; Gol: Larry aos 41′.
Brasil: Sérgio; Oréco, Florindo e Duarte; Odorico e Ênio Rodrigues; Luisinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul.
Peru: Felandro Lazón; Delgado e Salas; Calderon e Lavalle (Velasques); Castilho, Tito Drago, Lamas, Mosquera e Gomez Sanchez (Morles).
O jogo: Em sua segunda partida, embora a contagem tenha ficado somente 1-0, o Brasil dominou amplamente a partida, Larry marcou aos 41 da primeira etapa, concluido de fora da área um belo passe de Luizinho, na segunta etapa, o Peru abusou da violencia e teve Tito Drago foi expulso aos 32 minutos, o que acarretou em um pequeno tumulto, era a segunda vitória brasileira na competição.
08/03/1956 – Costa Rica 2-1 Chile
08/03/1956 – Brasil 2-1 México
Local: Estádio Olímpico (Cidade do México); Arbitragem: Cláudio Vicuña (Chile); com Danilo Alfaro (Costa Rica) e Alfredo Rossi (Argentina) como auxiliares; Gols: Bodinho (B) aos 17′, Del Aquila (M) aos 56′ e Bravo (Contra) (B) aos 73′.
Brasil: Sérgio; Figueiró, Florindo e Oréco; Odorico e Duarte; Luisinho, Bodinho, Larry (Juarez), Ênio Andrade e Raul (Chinesinho).
México: Gomez; Lopez, Bravo e Villegas; Portugal e Salazar; Del Aquila, Igario, Calderon, Reyes (Naranjo) e Molina (Arelpano).
O Jogo: Em um confronto equilibrado, onde ambos atacavam com perigo, foi o Brasil o primeiro a inaugurar o placar, aos 17 minutos, Bodinho aproveitou uma confusão na área mexicana e mandou a bola para o fundo das redes. Na segunda etapa, logo aos 11 minutos, Lopez cobrou uma falta com violencia, Sérgio defendeu parcialmente e Del Aquila na corrida emendou para o arco brasileiro empatando a partida. Luizinho revidou uma falta e formou-se um tumulto entre os jogadores, logo que a bola voltou a rolar, Chinesinho que havia entrado no lugar de Raul no intervalo, levava grande vantagem sobre os adversários, em um lance após driblar Lopez, recebeu um soco no estômago como resposta. Aos 28 minutos viria o desempate, Ênio Andrade bateu uma falta, a bola explodiu na barreira e correu pela linha de fundo, de lá mesmo, o rápido e esperto Bodinho mandou de cabeça em direção ao gol, o zagueiro Bravo tentou defender e acabou marcando contra a própria meta. Em vantagem no placar, o Brasil admistrou a partida até o final.
11/03/1956 – Argentina 3-0 Chile
13/03/1956 – Brasil 7-1 Costa Rica
Local: Estádio Olímpico (Cidade do México); Arbitragem: Cláudio Vicuña (Chile); Gols: Larry (B) aos 7′, Chinesinho (B) aos 12′, Larry (B) aos 37′ e aos 51′; Cordero (C) aos 53′, Chinesinho (B) aos 63′, Larry (B) aos 74′ e Chinesinho (B) aos 82′.
Brasil: Waldir; Oréco, Florindo e Duarte; Odorico e Ênio Rodrigues (Figueiró); Luisinho, Bodinho, Larry, Ênio Andrade e Chinesinho.
Costa Rica: Perez (Alvarado); Solis, Cordero e Sanchez; Esquivel e Rodrigues; Montero, Herrera, Monje, Murilo e Jimenez.
O Jogo: Credenciados por boas apresentações frente ao México, a Argentina e ao Chile, os “Ticos”, como foram chamados os costariquenhos, chegaram para enfrentar o Brasil sendo considerados um adversário difícil de se bater. Porém a fama durou pouco, pois o Brasil simplesmente triturou o seu adversário, Bodinho abriu a contagem de cabeça aos 7′, Chinesinho ampliou aos 12′, Larry aumentou aos 37′, fazendo o técnico da Costa Rica substituir o goleiro Perez por Alvarado para tentar conter as conclusões brasileiras, e assim acabou o primeiro tempo, Brasil 3-0. A invenciblidade do novo goleiro costariquenho durou até os 6 minutos da segunda etapa, quando Larry elevou para 4-0 a contagem do placar, Cordero aos 8 minutos marcou o gol de honra de sua equipe, Chinezinho aos 18, Larry aos 29 e Chinesinho aos 37 encerraram o placar para o Brasil.
13/03/1956 – Argentina 0-0 México
15/03/1956 – Peru 2-2 Chile
17/03/1956 – Costa Rica 4-2 Peru
17/03/1956 – México 2-1 Chile
FICHA TÉCNICA DA FINAL
18/03/1956 – Brasil 2 x 2 Argentina
Campeonato Pan-Americano
Local: Estádio Universitário da Cidade do México
Público: 50.000 pagantes
Árbitro: Claudio Vicuña Larrain (Chile)
Gols: Chinesinho 25′, José Yudica 36′, Ênio Andrade 58′ e Enrique Sivori
Brasil: Valdir (Renner); Florindo (Internacional), Figueró (Grêmio)- Duarte (Pelotas),Odorico (Internacional) e Oreco (Internacional);Ênio Rodrigues (Grêmio), Ênio Andrade (Renner-RS);Luizinho (Internacional), Bodinho (Internacional), Larry (Internacional) e Chinesinho (Internacional)
Técnico: José Francisco Duarte Júnior, o “Teté”(Internacional).
Argentina: Antônio Dominguez; Luis Cardoso, Juan Filgueiras; Nicolas Daponte, Héctor Guidi, Natalio Sivo; Luis Pentrelli, Francisco Loiácono (Oscar Di Stéfano), Benito Cejas, Enrique Sivori e José Yudica. Técnico: Guilhermo Stábile.
O Jogo: Na última partida, bastava um empate para garantir a Medalha de Ouro para o Brasil, no entanto o adversário era nada mais nada menos que o maior rival, a Argentina. Como já era esperado, o jogo foi equilibrado tecnicamente, sendo alternados os períodos de domínio de ambos os times. Aos 24 minutos Bodinho atirou rasteiro e com grande violência. Larry que estava no caminho, apenas fez uma finta com o corpo e deixou a bola passar para Chinesinho que vinha completamente desmarcado que bateu a gol com força, indo a bola morrer no fundo do gol, inapelávelmente para o goleiro Domingues. Em desvantagem no marcador, os argentinos não perderam a calma e aos 36 minutos um lançamento do méia Sivo que aproveitou a distração da zaga brasileira que preocupada em conter os ataques pelo meio, deixou Yúdica livre na ponta esquerda, lançado o atacante bateu sem chances para Waldir, com o 1-1 no placar, as equipes foram para o intervalo. Veio o segundo tempo, aos 13 mintuos, Ênio Andrade de ótima atuação, avançou com a bola dominada e de fora da área mandou forte para gol, sem a mínima chance para Domingues, novamente o Breasil estava na frente do placar. Faltando 5 minutos para o final, Sivori marcou um golaço e empatou novamente a partida, mas não havia mais tempo, o empate seria definitivo e deu a Medalha de Ouro para o Brasil.
Classificação Final:
1º) Brasil, 09 pontos; 2º) Argentina, 7 pontos; 3º) Costa Rica, 5 pontos; 4º) México e Peru, 4 pontos e 6º) Chile, 1 ponto.
A Biografia dos Campeões Panamericanos
Os Atletas
Aírton Ferreira da Silva, Grêmio, 21 anos, Defesa.
Ênio Antônio Rodrigues da Silva, Grêmio, 25 anos, Meia.
Ênio Vargas de Andrade, Renner, 27 anos, Meia.
Flávio Pinho – Florindo, Internacional, 27 anos, Defesa.
Hercílio Leopoldino Duarte, Grêmio, 26 anos, Meia.
Jerônimo Teixeira dos Santos, Internacional, 25 anos, Atacante.
Jorge Carlos Carneiro – Ortunho, Nacional, 20 anos, Defesa.
José Antônio Duarte Silva – Duarte, Pelotas, 25 anos, Defesa
Juarez Teixeira, Grêmio, 27 anos, Atacante.
Larry Pinto de Faria, Internacional, 23 anos, Atacante.
Luíz Gonzaga Figueiró, Grêmio, 21 anos, Defesa.
Luíz José Marques – Luizinho, Internacional, 29 anos, Atacante.
Mílton Martins Kuelle, Grêmio, 22 anos, Meia.
Nílton Coelho da Costa – Bodinho, Internacional, 27 anos, Atacante.
Odorico Araújo Goulart, Internacional, 25 anos, Meia.
Olavo de Souza Flores – Sarará, Grêmio, 25 anos, Meia.
Paulo Correa de Oliveira – Paulinho, Floriano, 30 anos, Goleiro.
Sérgio Moacyr Torres Nunes, Grêmio, 29 anos, Goleiro.
Sidney Cunha – Chinesinho, Internacional, 20 anos, Atacante.
Raul Otávio Klein, Floriano, 24 anos, Atacante.
Valdir Joaquim de Moraes, Renner, 24 anos, Goleiro.
Waldemar Rodrigues Martíns – Oréco, Internacional, 23 anos, Defesa.
Comissão Técnica e Diretores
Chefe da Delegação: Aneron Correia de Oliveira
Sub-Chefe: Saturnino Vanzelotti
Superintendente: Miguél Lardiez
Técnico: José Francisco Duarte Júnior – Teté
Médico: Dr. Derly Monteiro
Massagistas: Luíz Biscardi e José Moura.
Atletas do Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pernambuco
Embora a seleção formada fosse somente de atletas que atuavam aqui no Rio Grande do Sul, alguns dos atletas não haviam nascido aqui, é o caso de Florindo que nasceu em Nova Friburgo no Rio de Janeiro, atuou no Esperança de Nova Friburgo, Fluminense e Flamengo, antes de chegar aqui no estado para defender o Nacional em 1950 e posteriormente o Internacional em 1951. Juarez, o “Tanque”, era de Blumenau, Santa Catarina, antes de chegar ao Grêmio em 1955, atuou no Palmeiras e Olímpico ambos de Blumenau, passou por São Paulo, onde em Santos, defendeu o Jabaquara, no Paraná defendeu o Coritiba e novamente em Santa Catarina, defendeu o Duque de Caxias de Joivile, até ser contrato pelo Grêmio. Bodinho, nasceu em Recife, iniciou a carreira no simpático Íbis, no Maranhão defendeu o Sampaio Correa, no Rio de Janeiro atuou no Flamengo, até chegar a Porto Alegre, quando foi contratado pelo Nacional em 1952, no mesmo passou a defender o Internacional. Jerônimo nasceu no Rio de Janeiro, na época Distrito Federal, iniciou a carreira em 1946 no Manufatura F. C., logo foi levado para o Fluminense e em 1951 foi trazido para jogar no Interncional. Larry, assim como Florindo, nasceu em Nova Friburgo e lá iniciou sua carreira em 1945, foi para o Fluminense e de lá, saiu em 1954 para atuar no Internacional.
O RETORNO DO CAMPEÃO – DUARTE CONSAGRADO!
Após a batalha, o retorno dos heróis.
Segue abaixo, um trecho retirado da página 44, do Almanaque Esportivo de 1957, que conta como foi o regresso dos heróis e a recepção por parte dos brasileiros:
“…Depois de permanecer algum tempo na capital do Peru, a Seleção Gaúcha retornou aos “pagos”, tendo recebido diversas homenagens quer no Rio como em São Paulo. Mas a maior de todas foi na sua chegada a Porto Alegre, onde por assim dizer, toda a população se associou as festividades daquele memorável 27 de março, declarado ponto facultativo nas repartições públicas com a adesão do comércio que, na quase totalidade, cerrou suas portas para que todos pudessem recepcionar os heróis do México. 80 mil pessoas compareceram ao Aeroporto Salgado Filho e o cortejo composto por mais de mil automóveis levou quatro horas para chegar ao centro da cidade. Câmara Municipal, Assembléia Legislativa do Estado, e os executivos da cidade e do Rio Grande do Sul, se associaram oficialmente às homenagens. Somente a Confederação Brasileira de Desportos não soube reconhecer o esforço dos gaúchos para a conquista tão memorável: além de oferecer aos players da seleção brasileira uma gratificação bastante modesta somente foi entregá-la sete meses depois, a 9 de outubro, após muito regateio…”
ROUBO DA TAÇA
A Taça da conquista do campeonato Panamericano de 1956 não faz mais parte do acervo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O troféu foi roubado junto com a Taça Jules Rimet, segundo inquérito aberto pela polícia carioca, as “relíquias” foram derretidas.
APÓS PROPOSTAS DE GRANDES CLUBES, A PERMANÊNCIA NO PELOTAS
Após a conquista do Panamericano com a Seleção Brasileira, Duarte recebeu propostas dos principais clubes do Futebol Brasileiro: Corinthians, Vasco da Gama, Internacional e Grêmio foram alguns dos interessados. Corinthians foi o que apresentou a melhor proposta, porém, Duarte decidiu por permanecer no Esporte Clube Pelotas para sequência daquela temporada.
UMA LENDA ÁUREO-CERÚLEA
O torcedor Áureo-Cerúleo que acompanhou o Futebol Gaúcho na década de 50, dificilmente não se lembrará do zagueiro Duarte, o Capitão do Tri-Campeonato no ano do Cinquentenário do Pelotas e o zagueiro títular da Seleção Brasileira, na conquista do Campeonato Panamericano de 1956.
Ficou conhecido como Capitão de Ouro por conta do título Panamericano de 1956. Ele e seu companheiro, Getúlio Saldanha, formaram uma das melhores zagas que o Pelotas já teve. Ele era muito técnico para jogar e tinha a liderança que o grupo precisava naquela época. Sua entrega em campo também encantava a torcida.
Já no seu retorno ao Pelotas, após o Pan de 1956, Duarte assumiu seu papel de líder e levou o Pelotas ao título da cidade naquela temporada. Ainda no mesmo ano, Duarte foi vice-Campeão Gaúcho. No ano seguinte, Duarte novamente levou o Pelotas ao título da cidade, conquistando o Bi-Campeonato de forma brilhante. E no ano mais aguardado até então, quando do Cinquentenário Áureo-Cerúleo, Duarte e seus companheiros levantaram o Tri-Campeonato da cidade, fato inédito no futebol Brasileiro, poís nenhum clube no país, havia conquistado título nas comemorações dos seus 50 anos.
Por todas as conquistas com a camisa Áureo-Cerúlea, Duarte se tornou uma lenda na história do clube. Capitão e títular absoluto do Lobão durante a segunda metade da década de 50, Duarte fez história e conquistou seu espaço na galeria de ídolos da Boca do Lobo.
PELOTAS, CAMPEÃO DE 1956
PELOTAS, BI-CAMPEÃO EM 1957
PELOTAS, CAMPEÃO DA COPA DOS CAMPEÕES DE 1957
PELOTAS, TRI-CAMPEÃO EM 1958
FESTIVAL DO CINQUENTENÁRIO DE 1958
OUTRAS CONQUISTAS
Além do Tri-Campeonato de 1956/57/58, a Copa dos Campeões de 1957, e o Festival do Cinquentenário em 1958, Duarte sagrou-se Vice-Campeão Gaúcho e Campeão do Interior em 1956 e 1960, Pentagonal Rio Grande-Pelotas, Taça Dia do Futebol, Taça Rafael Mazza e Taça Osvaldo Muller, todas em 1957. Campeão Regional e da Copa Pepsi-Cola em 1958, Taça Dia do Cronista em 1959 e 1960, Copa Sinumbu, Taça Genuíno Ferreira e Taça Fernando Kroeff, todas em 1960. Taça Imprensa de 1961 e Campeão da Copa Sesquicentenário de 1962.
FALECIMENTO
Duarte morreu em acidente de carro no dia 18 de maio de 1987.
Fontes: CBF, Sumulas Tchê, Jornal Diário de Notícias RS, Jornal Diário Popular RS, Jornal Manchete Esportiva RJ, A Gazeta Esportiva e Futebol Nacional.