Um dos mais lindos hinos repousa num belíssimo painel dourado que contrasta com o chão ainda empoeirado. A sagrada taça de Campeão Gaúcho de 1930 encara uma vassoura que não faz ideia do trabalho que ainda vai ter pela frente. O parquet recuperado e a parede pintada tentam se encaixar com o madeiramento da janela já marcado pelas décadas e cupins. O judiado Pelotas do presente agora vai poder olhar pra trás e enxergar a si mesmo ainda glorioso e imaginar um futuro melhor.
Já bastavam as dificuldades e tristezas atuais e a pouca perspectiva no futuro. Além disso não tínhamos aonde ir, caminhar ou sentar, respirar fundo ou chorar, lembrar o que vivemos ou imaginar algo melhor ali na frente. Um Clube sem história não é nada. Não sabe quem é, quem foi, de onde veio e, portanto, pra onde vai. Inclusive precisamos fazer um mea culpa aqui, pois cometemos um crime ao terceirizar nossa história à imprensa por muitos anos. E isso vale tanto pra números e estatísticas quanto principalmente em como contar essas histórias.
Agora, por exemplo, já sabemos que cada vez que rodamos a catraca estamos entrando no estádio mais antigo do país em atividade. E dentro dele nossa história física vai ter um lugar recuperado, arrumado, renovado e caprichado pra ser mostrado e ficar à vista de todos aqueles que quiserem. Está quase, aquela vassoura tem muito o que varrer ainda. Tem coisa sendo terminada, ajeitada, limpa. Móvel pra ser instalado, luz pra ser ligada. E, com muito orgulho, muita taça pra ser colocada no seu devido lugar.
Em breve o museu do Esporte Clube Pelotas será (re)inaugurado. Ainda de maneira simples mas organizado, com cada centavo honesto e respeitando todos aqueles que fizeram parte da nossa história até ontem. Como Mario Reis, que com certeza deve ter me olhado sério quando peguei aquela preciosidade prateada da foto que ele lutou tanto pra conquistar 95 anos atrás. Ou nossos fundadores que faziam, imagino eu, uma seríssima reunião em volta da mesa gigante que ocupa todo centro do museu enquanto começamos a ajeitar as coisas. E ficaria honrado se o Bedeuzinho dividisse uma gelada comigo enquanto escrevo esse texto.
Esperamos todos – vocês e esses caras celestiais – em breve no nosso canto sagrado.
















1 comentário
Nossso hino do esporte clube pelotas
E bonito